segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Intervalo (3) - Sarau 4.2



Entre os intervalos bons que a vida nos oferece, um é especial: o dia do nosso aniversário. Momento muitas vezes de reflexão, mas que nunca deve ser vivido sozinho. Semana passada foi o meu dia. Resolvi chamar alguns amigos para celebrar a vida, que, como diz a bela canção do Gonzaguinha, é bonita, é bonita, e é bonita!



1º letreiro da barbearia do meu pai, inaugurada pouco antes do
meu nascimento, hoje virou peça de decoração vintage na minha casa.



Varal de poesias: Adélia Prado, Florbela Espanca, Carlos Drummond de Andrade,
Cecília Meirelles, Álvares de Azevedo, Catulo da Paixão Cearense,
José Saramago, Cora Coralina, Paulo Leminsky, Christian Bobin

E assim foi o Sarau 4.2: cheio de música, risadas, alegria e, principalmente, amigos... os anjos que Deus coloca na nossa vida!



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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Café San Telmo

Dia desses, andando à tarde em Teresópolis, minha cidade natal, na região serrana do RJ, vi uma cena que me chamou a atenção: em um canto da calçada, ao lado de uma vitrine, estavam uma mesinha e duas cadeiras, forradas com tecidos de estampas diferentes. Ainda de longe, e sem ler o letreiro, pensei se tratar de um antiquário. Acabei descobrindo uma cafeteria deliciosa e linda: o Café San Telmo.




Ao entrar no Café, fiquei sem saber para onde olhar: mesas, cadeiras, armários, objetos, lustres... Todos lindos! E o que me chamou mais a atenção: as peças eram diferentes, revestidas em tecidos diferentes, mas resultando em uma combinação extremamente harmoniosa. 

Estava com um amigo; pedimos um espresso e um cappuccino e ficamos lá,  bebendo nossos cafés (que estavam deliciosos), admirando o lugar e ouvindo jazz, tocado em uma antiga vitrola. Na mesma hora, resolvi que aquele lugar inauguraria uma nova página aqui no blog, batizada hoje como Andanças.

Cerca de um mês depois, voltei ao San Telmo. Pra tomar um café, lógico, e também para conversar com o dono e pedir autorização para criar esse post. Bernardo, o proprietário, me contou que se inspirou no famoso bairro San Telmo (que fica em Buenos Aires e é famoso por seus cafés, seus antiquários, sua vida boêmia) para criar esse ambiente tão aconchegante!

Logo na entrada, um lindo abajur nos dá as boas vindas.


No aparador ao lado do abajur, garrafas de vinho, livros com pin-ups, cards, um moedor antigo de café e um pequeno abajur de cristal decoram e encantam.



Uma cristaleira completa o conjunto:


Do outro lado, uma salinha, com sofazinho, poltronas, almofadas...

...e uma coleção fantástica de LPs, tocados em uma vitrola que funciona perfeitamente!


O balcão principal é super bacana: foi feito a partir de janelas de demolição e vidros coloridos e faz um contraste muito legal com os bancos modernos.


Sobre o balcão, peças de porcelana e caixas de charutos exibem gostosuras...


Alguns detalhes interessantes: um dos lustres e o vitral...


...lindas caixas de charuto trazem a conta...


...a parede em frente aos banheiros, coberta de molduras, espelhos, imagens de santos...


...indicadores dos banheiros...


Pra finalizar, três vistas do Café...




Bem, espero que tenham gostado!
E quando forem em Teresópolis, reservem um tempinho para conhecer esse lugar tão gostoso!
O Café San Telmo fica na Praça Baltazar da Silveira, 124, no Centro, próximo à Matriz de Santa Teresa.



P.S.: Parte das fotos foram tiradas pela minha amiga Cristina Danuta, que também se encantou pela cafeteria...


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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Intervalo (2) - A CASA ARRUMADA DE DRUMMOND

Nesses tempos de internet pipocam textos aqui e ali, atribuídos a algum autor famoso. Luiz Fernando Veríssimo e Carlos Drummond de Andrade são campeões nessas citações.

Ontem, passeando na net, encontrei um desses textos, "A Casa Arrumada", atribuído ao velho e bom Drummond. Gostei do que li, mas não consegui confirmar a autoria e acho que, embora o conteúdo pareça ser dele, a forma não se encaixa muito com o que eu conheço da sua obra (é claro que não conheço todos os seus escritos e nem sou especialista em Drummond, por isso, pode até ser que o texto seja dele mesmo).

Mesmo assim, resolvi publicá-lo aqui, porque também não gosto de decoração que deixa a casa com aquele ar estéril de ambiente hospitalar ou vitrine de loja. 

Então, sendo ou não de Drummond, vamos ao texto.



CASA ARRUMADA

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.


Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...


Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:

Aqui tem vida...

Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. 

Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.


Sofá sem mancha?

Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.

Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...


Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.


A que está sempre pronta pros amigos, filhos, n
etos, pros vizinhos...

E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.


Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.


Arrume a sua casa todos os dias...


Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...

E reconhecer nela o seu lugar. 

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